Acompanhe por aqui relatos e experiências registrados durante a produção da exposição.

Campanha Prevenção da Natimortalidade: Site da Lancet traduzido

Sim, nós traduzimos o texto da Campanha do The Lancet para vocês. Para quem quer conferir sem tradução, o endereço do site é este aqui.

Explicando um pouquinho, no site existem três linhas principais de atividade sugeridas para reduzir a natimortalidade no mundo: Transformar enfermeiras obstetras em salvadoras de vidas, Preparar cada mulher para gestações saudáveis (infelizmente estas seções ainda não têm texto) e Esmagar os tabus sobre a natimortalidade.

Segue nossa tradução livre:
  natimort    

7.200 vidas são perdidas todos os dias para a natimortalidade. Imagine se pudessemos reduzir este número e acabar com esta epidemia de pesar. Aprenda o que o The Lancet está fazendo para contra atacar.

 

No mundo todo, a natimortalidade ainda é uma maior ameaça à vida de menores de cinco anos de idade que doenças bem disseminadas como AIDS, malária ou rubéola.

 

Orientações claras são essenciais para alinhar a política, o trabalho de campo e a pesquisa para que evoluam. Estas são as nossas recomendações de políticas públicas.

 

Quebrar o estigma em todas as culturas

Temos de remover o véu do silêncio uma vez por todas. Vamos quebrar tabus socioculturais e encorajar o diálogo aberto em cada comunidade. Eliminar demônios, superstições e a retórica fatalista que impede o progresso.

 

Quantidade de natimortos em todos os países

Números contam. Temos de estar vigilantes sobre a coleta de dados para cada bebê natimorto, para que possamos melhorar nossos indicadores e medir e monitorar nosso progresso em todo o mundo.

Cuidar da concepção ao nascimento, e além

Cada fase da gravidez deve ser monitorada para salvar vidas hoje e amanhã. Não apenas as horas de trabalho de parto. Devemos priorizar o cuidado antes da concepção, durante a gravidez e fornecer suporte contínuo para pais enlutados e suas famílias.

 

Escolarização universal sobre a gravidez

Deve ser definido um nível mínimo de conhecimento sobre saúde sexual, riscos da gravidez e planejamento familiar. Isso inclui uma compreensão básica de contracepção, nutrição, ácido fólico e doenças sexualmente transmissíveis. Este tipo de educação tem de se tornar um direito universal.  

Esmagar os tabus sobre a natimortalidade:

Quase 2.6 milhões de bebês nascem mortos em todo o mundo a cada ano. Isso equivale aproximadamente à toda a população de Roma, exterminada. No entanto, nós ainda não falar abertamente sobre natimortalidade. Meninas e mulheres feridas ​são ​muitas vezes deixadas a sofrer em silêncio. O estigma só se perpetua quando têm pouca ou nenhuma informação sobre o tema. É preciso fazer mais para acabar com as barreiras socioculturais, religiosas e de saúde que inibem o diálogo aberto.

Superstições e tabus culturais muitas vezes colocam o fardo da culpa da morte fetal nas mães. Estatísticas em um estudo recente mostram que 36% dos entrevistados culparam a mãe por seu estilo de vida ou dieta, 29% disseram que o bebê não deveria viver, e 25% colocaram a culpa da morte em bruxaria ou espíritos malignos. Esses mal-entendidos só servem para agravar o trauma psicológico que a mãe deve suportar.

O impacto psicológico de natimortos em mães é incapacitante e grave. 60-70% das mães de luto em países de alta renda relataram dor e sintomas depressivos por até 1 ano após a morte de seu bebê. Em um estudo, 68% das mães relataram quatro ou mais sintomas psicológicos negativos após 10 dias – ataques de pânico, remorso e culpa, ansiedade, medo e sofrimento. Isto sem mencionar o sofrimento experimentado pelos parceiros e familiares sobre a perda.

Este tipo de trauma psicológico costuma passar despercebido, e isso é especialmente verdadeiro em contextos onde há pouco ou nenhum acesso a profissionais de saúde. Por exemplo, a chance de um natimorto intraparto para uma mulher africana é 24 vezes maior do que para uma mulher em um país de renda mais elevada. Em Bangladesh e Ruanda dois terços das mulheres ainda não têm acesso a pelo menos quatro consultas de pré-natal, e em Ruanda o terceiro nascimento acontece desassistido. Estas estatísticas são no mínimo preocupantes.

O que pode ser feito para nos livrar desses tabus? Precisamos preparar o caminho para um diálogo mais aberto em torno do assunto. Este diálogo começa tanto nas políticas públicas quanto na comunidade. Todas as mulheres devem receber cuidados de saúde adequados, de antes da concepção até após o nascimento. As mulheres devem ser empoderadas para falar sobre os seus direitos, partilhar as suas histórias, e para falar sobre a natimortalidade.

Ainda hoje a natimortalidade é muitas vezes atribuída à superstição, ao estilo de vida da mãe ou à simples fatalidade.

  1. PAULINE FRAGA LIGNANI disse:

    Texto fala uma palavra interessante e que para mim é a chave de muitas coisas: empoderamento da mulher

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